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O MILHO NO MATOPIBA E EM GOIÁS Desafios do clima, oportunidades do etanol e o papel da fertilidade do solo
O milho virou protagonista no Cerrado e no MATOPIBA
O milho deixou de ser só a cultura de segunda safra da soja e hoje é um dos pilares da economia agrícola da região. Goiás caminha para sua segunda maior safra da história, com 11,88 milhões de toneladas estimadas pela Conab, o que mantém o estado na 3ª posição nacional em produção e na 4ª em área plantada. Já no MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), o milho se consolidou como cultura de sucessão à soja. No Tocantins, inclusive, vem substituindo o arroz em parte das áreas, sinal de que o uso da terra na região está mudando de forma estrutural.
Mais do que um número de safra, o milho sustenta cadeias inteiras: alimentação animal, exportação de derivados, geração de renda no campo e, cada vez mais, produção de energia. É esse último ponto que vem redesenhando o mapa econômico da região.
O motor que vem mudando o jogo: as usinas de etanol de milho
A chegada das usinas de etanol de milho é hoje um dos fatores que mais valorizam a cultura na região e dão segurança de mercado ao produtor. Levantamentos do setor apontam projetos somando cerca de R$ 23 bilhões em 21 novas usinas no país, com a fronteira de expansão avançando de Mato Grosso para Goiás, Paraná e o próprio MATOPIBA.
- Planalto Bioenergia: R$ 1,8 bilhão investidos em duas usinas em Goiás (Formosa e Cristalina), com capacidade de processar 1.500 toneladas de milho por dia e produzir 200 milhões de litros de etanol por safra em cada uma, além de DDG (ração animal) e óleo de milho.
- Inpasa: cerca de R$ 3,5 bilhões em novas plantas, incluindo a primeira unidade em Goiás.
- FS Bioenergia, Grupo Potencial, São Martinho, Coamo, 3Tentos, Be8 e Cerradinho ampliam capacidade e reforçam a demanda regional por grão.
Na prática, cada usina se torna um comprador âncora de milho, oferecendo previsibilidade de preço e escoamento mais próximo da lavoura. É um estímulo direto para o produtor investir em tecnologia e elevar produtividade, já que o grão passa a ter destino garantido mesmo antes da colheita.
Os desafios da cultura na região
Plantar milho no MATOPIBA e em Goiás significa lidar com uma combinação particular de riscos:
- Janela de plantio apertada: atraso na semeadura reduz o tempo útil de desenvolvimento e expõe a planta à seca em fases críticas.
- Estiagens no fim de ciclo: a interrupção de chuvas no florescimento compromete a formação de espigas de forma irreversível.
- Calendário próprio do MATOPIBA: colheita concentrada entre maio e junho exige leitura regional de risco, diferente do Centro-Sul.
- Pressão fitossanitária crescente: cigarrinha do milho e mancha de bipolaris exigem monitoramento e rotação de defensivos.
- Zoneamento de Risco Climático (ZARC) mais restritivo: a atualização metodológica, com seis classes de capacidade de água no solo (de AD1 a AD6), reduziu as janelas de plantio em parte do Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste.
A fertilidade do solo como resposta ao clima
O dado mais relevante para o produtor da região também é o mais simples: solo bem corrigido sustenta produtividade mesmo quando a janela de plantio encolhe ou a chuva falta. O milho é uma cultura altamente responsiva à fertilidade. Com disponibilidade adequada de nutrientes, a planta desenvolve sistema radicular mais profundo e maior capacidade de tolerar veranicos, o que ameniza o impacto do estresse hídrico nas fases críticas de florescimento e enchimento de grãos.
Isso explica por que, mesmo em uma safrinha 2026 marcada por perdas expressivas no Cerrado, áreas com solo corrigido e boa reserva de fertilidade entregaram resultados muito acima da média regional, em alguns casos superando 200 sacas por hectare. A lição é clara: em um cenário de clima mais instável e janelas mais curtas, a correção e a nutrição do solo deixam de ser apenas rotina agronômica e passam a ser a principal ferramenta de gestão de risco do produtor.
Massari Fértil: tecnologia nacional para corrigir o solo
Nesse cenário, ganham espaço soluções voltadas justamente para o histórico déficit nutritivo dos solos brasileiros. A Massari Fértil, mineradora e formuladora de fertilizantes minerais mistos naturais, trabalha exatamente nessa frente: corrigir o solo na raiz do problema.
Após a fusão com a Morro Verde, a empresa passou a operar uma cadeia verticalizada, da mineração à formulação final, com capacidade produtiva superior a 3 milhões de toneladas por ano. O foco está em fósforo natural reativo e corretivos minerais produzidos a partir de ativos geológicos brasileiros, reduzindo a dependência de fertilizantes importados, hoje responsáveis por cerca de 90% do consumo nacional.
A proposta é oferecer fertilidade construída a partir de fontes naturais, com liberação mais gradual de nutrientes, favorecendo a manutenção da fertilidade do solo ao longo de vários ciclos, não apenas o resultado de uma única safra. Para o produtor do MATOPIBA e de Goiás, essa é uma alternativa concreta para reduzir a dependência de insumos importados e blindar a lavoura contra os efeitos de janelas de plantio mais curtas.
Investir em correção de solo com tecnologia como essa é, na prática, investir em previsibilidade: menos exposição ao clima e mais estabilidade de produtividade ano após ano.
Oportunidades para os próximos ciclos
- Demanda garantida pelas novas usinas de etanol de milho, com contratos de fornecimento de longo prazo.
- Tecnologia genética, com híbridos precoces e superprecoces ajustados ao calendário regional.
- Correção e manutenção da fertilidade do solo como estratégia central de mitigação de risco climático.
- Consórcio milho-braquiária, já contemplado no novo ZARC de Goiás, agregando proteção ao solo e opção de pecuária.
- Expansão de área no MATOPIBA, com Tocantins e Maranhão ampliando o cultivo mesmo em anos desafiadores.
O milho vive um momento estratégico em Goiás e no MATOPIBA. De um lado, o clima impõe desafios reais, com janelas de plantio mais curtas e estiagens mais frequentes. De outro, a chegada das usinas de etanol e a valorização da cadeia produtiva abrem uma janela de oportunidade histórica. Quem une manejo técnico, tecnologia de sementes e, sobretudo, solo bem corrigido, tem condições de transformar um cenário climático mais apertado em vantagem competitiva: produzir mais, com mais estabilidade, em uma região que se firma como um dos novos centros do agronegócio brasileiro.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Fontes: Conab (Acompanhamento da Safra Brasileira de Grãos, 2025/26), Seapa-GO, MAPA/ZARC, Embrapa Milho e Sorgo, Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Aprosoja/MS, AgFeed, Portal do Agronegócio, Notícias Agrícolas.
Texto elaborado por:
Hellen Cristina de Freitas
Consultora de Desenvolvimento de Mercado
Eng. Florestal- Esp. Fertilidade do Solo e Nutrição de plantas.